quando ele chegou para junto de nós e se instalou no nosso meio, ficaste triste. uma pequena bola amarela que te roubava tempo e espaço. mas amavas-me e por mim aceitas-te.
depois os dois vimos-te partir...
agora foi a sua vez. não partiu assim como tu a dizeres adeus, olhos no olhar, respiração com arfar. partiu sem saber como, onde ou porquê...
agora espero por ele, como me aconteceu esperar por ti, apesar de te saber para sempre longe e de o sentir a ele ali, já ao virar da esquina...
e de dor em dor assim vou passeando com vocês!!
zaratustra, a cadela que passeia
4.8.11
9.4.11
porta!
desabituou-se a fala em mim com a tua ausência?
ou simplesmente jaz mentirosa ali no canto desarrumado de porta fechada?
agora limito a voz ao gesto de atirar mais qualquer coisa lá para dentro, sem acender a luz e num movimento igualmente rápido, fechar a porta atrás de mim...
ou simplesmente jaz mentirosa ali no canto desarrumado de porta fechada?
tenho saudades tuas, dos nosso passeios, em que aos saltinhos e cheia de pressa e alegria me deixavas acompanhar-te e falar-te como quem fala ao desassossego.sossegavas-me.
agora limito a voz ao gesto de atirar mais qualquer coisa lá para dentro, sem acender a luz e num movimento igualmente rápido, fechar a porta atrás de mim...
gostavas particularmente da primavera minha zaratustra. ela chegou!
5.11.10
do que me lembrei por me apeteceres
um mês de silêncio...
apeteces-me pelo teu colo e este apetecer-te trouxe contigo a saudade do carinho, o paladar já insonso da ternura, o mimo inodoro, a imagem desbotada pelo excesso do tempo que entre mim e tudo isso que me apetece por apetecer-te se me impôs hoje!era num jardim, éramos jovens, éramos assim desconhecidos dos nomes que agora aprendemos. revolvia-se o corpo, turvava-se a vista, tremiam as pernas... mas era um sorriso de lado a lado do rosto o que tudo isto no caminho percorrido acompanhava.
hoje que sabemos todos os nomes de todas as palavras, deixamos de conseguir saber o paladar, o sabor, o odor e o pasmo primeiro com que tudo, quando não havia espanto, com espanto era conhecido no corpo sem ideia de si e na mente de si desconhecida.
deve ser por estar a ficar de novo menina, neste lento envelhecimento, que de novo tudo isto me apetece por também o teu colo me apetecer!
1.10.10
estamos à porta mas não batemos!
todos os dias me prostro a esta porta e não tenho coragem de bater para poder entrar e assim de costas voltadas me afasto...todos os dias passeio contigo e chego ansiosa para te falar mas a porta olha-me com os teus olhos, vê-me com o teu olhar e eu petrifico.
a saudade é indescritível pelo que nem tentarei sequer aflorar o que me ocorre sempre que assim me olhas e vês!
sei que hoje me darias colo e eu adormeceria tranquila, pronta e preparada para a guerra.
na tua ausência resta-me o adormecer imposto pela exaustão e o caminhar imposto pela sobrevivência.
vou guerreira. mas vou só!
a saudade é indescritível pelo que nem tentarei sequer aflorar o que me ocorre sempre que assim me olhas e vês!
sei que hoje me darias colo e eu adormeceria tranquila, pronta e preparada para a guerra.
na tua ausência resta-me o adormecer imposto pela exaustão e o caminhar imposto pela sobrevivência.
vou guerreira. mas vou só!
14.9.10
meros golem
não penses que não tenho passeado contigo zaratustra. todos os dias o faço. mas nem todos os dias connosco vão as palavras. às vezes acompanha-nos o silêncio.
hoje não aconteceu isso. hoje falamos muito. hoje passamos por muitos seres e lembrei-me que todos nós não passamos de meros golem. difere de cada um o sopro necessário, mas todos nós vivemos assim, nessa necessidade de um sopro que nos dê vida, uma qualquer anima, não importa a sua origem, desde que mentindo se faça sentir viva através de nós. ou nós, vivos através dele.
golem!
meros golem!
num mundo onde sopros duram o momento exato de momentos. sopros que não duram o tempo de um abraço, de um olhar mais demorado, de um sorriso perdido no encanto da voz, de um tocar a ponto de deixar a temperatura sentir-se, de um cheirar até que o odor se entranhe...
meros golem, cheios de gretas que vão ficando ressequidas e sem esperança de nova anima!
2.9.10
felinizar
podemos deixar de lado a pele, não, não é deixá-la de lado, é despi-la, vestir uma outra e com ela todos os acessórios.
estico-me arqueando as costas, entrego-me à acção quando o dia nasce e a pede,
preguiço-me tarde dentro indo com ela em passeios desconhecidos.
quando o sol vem dizer adeus volto a espreguiçar todos os membros e vou até a um muro alto acenar-lhe.
está na hora de comer,
percorro telhados e varandas,
e sempre que vejo uma janela aberta, tenho vontade de entrar, deixar que me escolham e me acariciem o pêlo... não acontece, de forma que escolho um local e de língua preparada me percorro toda, me enrolo e deixo que a noite me mergulhe em miares inaudíveis!
um gato vadio,
no que nos podemos tornar....
isto descobri hoje passeando contigo zaratustra!
30.8.10
coisas soltas por aqui
anda por aqui solto um chocolate e tu não o encontras com o teu faro imperdível para tal iguaria... da mesma forma se passeia por aqui perdida uma solidão gritante, uma falta de colo quase esquecida, cheia de bolor e já com mau cheiro.
deito a cabeça e deixo que me afaguem.assim poderia começar, tal como eu te fazia zaratustra. assim ninguém a mim me faz e tem bolor e mau cheiro a solidão que por aqui anda perdida, espalhada, entranhada, apodrecida.
encosto a cabeça e deixo que uma caricia me afague o rosto.assim poderia continuar.... depois, se assim continuasse, limpava-se a casa e a solidão desaparecia, levando com ela o seu bolor e o seu mau cheiro.
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